“Felicidade demais” – Alice Munro

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O quinto livro do ano foi uma coletânea de contos da autora canadense Alice Munro, que ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 2013.

Fiz essa escolha porque quero conhecer, cada vez mais, a “atual” literatura. Esse tipo de literatura é aquela que se utiliza da máxima “Show, don’t tell” , ou seja, as histórias contadas nesse estilo, dão a possibilidade para o leitor de viver àquelas situações, através de idiossincrasias, de coisas que acontecem e a partir daí tenham sensações.

Nesse tipo de escrita, o autor não escreve “Fulana estava feliz” ele tenta descrever o que aconteceu, por exemplo “sorria tanto, que seu maxilar começou a dar pontadas de dor”e isso dá para o leitor traduzir o sentimento. Ou seja, totalmente diferente de uma literatura romântica, por exemplo, porque é mais concreto, mais real, não fica só no âmbito das ideias, parece que realmente está acontecendo aquilo.

Quando estou escrevendo meus contos é isso que tento fazer, poucos adjetivos e muitos substantivos. Dessa forma, escolhi o livro de uma autora que faz isso e o formato das histórias são contos, ou seja, exatamente o que eu gostaria de fazer. O livro, então, serviu como uma fonte de inspiração.

A coletânea reúne 10 contos com histórias em que as protagonistas são mulheres. Tudo acontece com elas e os finais são surpreendentes.

Não consegui ter um preferido, porque todos acabaram me tocando de alguma forma. Mas escolhi um trechinho do conto “Radicais livres”, página 140, edição Companhia das Letras, 2010:

“Sempre ficção. Odiava quando usavam a palavra “fuga”para se referir à ficção. Podia argumentar, e não apenas de brincadeira , que a vida real é uma fuga.

(…)

– Estou muito ocupada.

-É o que todo mundo diz. Ocupada com quê?

– Ocupada demais prestando atenção.

– Atenção no quê?

– Quero dizer, pensando.

– Pensando no quê?

– Deixa pra lá.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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