“A Amiga Genial” – Elena Ferrante

Meus papos do dia a dia, comigo mesma e com outros interlocutores, acabam revelando o que estou lendo. Não tem jeito, acabo falando sobre a trama, sobre os personagens, tenho ideias e pensamentos. Quando leio uma obra, acabo me relacionando com ela, tenho muitas reflexões, vontade de conhecer o cenário e os personagens em carne e osso, de viver aquilo na vida real.

Porém, paro para pensar que acabo conhecendo mais esses personagens do que muita gente que trombo (ou mesmo pessoas que tenho relacionamentos), então é melhor deixá-los dentro das palavras e no mundo da minha imaginação; dessa forma, a profundidade prevalece.

Como essas leituras impactam diretamente a minha vida, decidi fazer um caderninho com as obras que li e escolho uma citação para compartilhar no blog, algo que chamou minha atenção enquanto li o livro (o que pode ser que mude, se no futuro eu voltar a lê-lo).

Assim, acho que lá em dezembro poderei rememorar as histórias que li, fazendo parte da minha retrospectiva anual de maneira mais “organizada” e não apenas flashes, que é o que tem acontecido nos últimos anos. Também acho que essa sessão será interessante, pois compartilharei esses textos com quem acompanha o blog, o que poderá gerar reflexões, inspirações, ou até mesmo discussões sobre os temas e obras; fica o convite.

O primeiro livro que finalizei em 2017 foi “A Amiga Genial” de Elena Ferrante.

Adorei esse livro, merece 4 estrelas no meu ranking de até 5 estrelas.

A história é de uma menina que vive na Itália, em Nápoles, vai crescendo em um ambiente simples com muito trabalho, pouco dinheiro, problemas, muitas famílias e relações. Vamos vivendo com ela todas as suas experiências, desde escola, amores, amigos, pais. Ela tem uma grande amiga, tudo se passa com elas e com o relacionamento delas. Personagens intensas, esféricas, nos fazem pensar.

Aqui vai o trecho escolhido (Editora Azul, página 21):

“Quando se está no mundo há pouco tempo, é difícil entender que desastres estão na origem do nosso sentimento de desastres. Talvez nem se sinta a necessidade de compreender. Os grandes à espera de amanhã, se movem num presente atrás do qual há o ontem ou o anteontem ou no máximo a semana passada: não querem pensar no resto. Os pequenos não sabem o significado de ontem, do anteontem, nem de amanhã, tudo é isto agora: a rua é esta, o portão é este, as escadas são estas, esta é a mamãe, este é o papai, este é o dia, esta, a noite.”

 

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