Florence Foster Jenkings: a inglesa versus a francesa

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19/07, terça-feira – Florence: quem é essa mulher? (2016) – R$ 11,00 – meia-entrada Itaú Cinemas Rua Augusta

Só de saber que a Meryl Streep irá estrelar em um novo filme já dá vontade de comprar a pipoca e abrir um pacotinho de lenços. Esses lencinhos não são usados para segurar lágrimas de tristeza necessariamente, mas porque quando vou ao cinema esqueço da vida lá fora e sinto a emoção do um filme na flor da pele, como se eu estivesse dentro da tela. Então, acabo chorando muito e não importa o tema, podem ser lágrimas de raiva, de alegria, de saudades, de tristeza, de desespero. E, quando a Senhora Streep interpreta algum personagem a intensidade que sinto essa emoção é multiplicada. Não sei explicar muito bem o motivo, mas talvez eu me identifique com a Meryl pelo fato de ela ter um fundinho cômico, de ser elegante e desastrada ao mesmo tempo (mesmo em papéis que essas características não são realçadas) e então sinto algo como se ela fosse minha amiga, ou alguém da minha família. Mas claro, também pode ser porque ela é uma excelente atriz e consegue viver o filme com se fosse vida real.

Sendo assim, esta semana providenciei os meus aparatos e lá fui encarar a telona para poder prestigiá-la em “Florence: quem é essa mulher?”, dirigido por Stephen Frears. Minha expectativa era alta, pois além de ser ela atuando, a temática do filme é a mesma de “Marguerite” de Xavier Giannoli, filme estreado no Brasil em junho, que eu falei aqui no post deste link.

Comparar os dois filmes foi muito rico, pois são duas maneiras totalmente diferentes de contar a história de Florence Foster Jenkins (1868-1944): enquanto o inglês retrata a história na época e local em que aconteceu, anos 40 em Nova Iorque, o francês cria Marguerite Dumont e leva o espectador para Paris nos anos 20. De qualquer forma, o período pós-guerra, glamour e riqueza das protagonistas estão presente e costuram a biografia desta mulher que cantava ópera extremamente mal, mas por ser rica e financiar trabalhos no mundo da música, ninguém tinha a ousadia de lhe dizer sobre sua performance, até que ela decide se apresentar em um grande espetáculo.

Meu objetivo foi assistir sem interferências com o intuito de ter minha opinião, independente do meu lado tendencioso para a obra inglesa, por conta da Meryl Streep. E não é que eu consegui?

Digo isso porque, para mim, Marguerite foi esplêndida enquanto Florence ficou no “ok”. A dramaticidade com que o roteiro do francês foi composto, a forma com que a paixão pela música foi demonstrada, a vergonha e farsa das pessoas que incentivavam o seu péssimo trabalho, a relação com seu marido que se transformou ao longo da trama, deram ao papel de Catherine Frot emoção, detalhes e uma produção que mereceu aplausos.

Cena dos filmes: as Florences inglesa e francesa, Meryl Streep e Catherine Frot, respectivamente.
Cena dos filmes: as Florences inglesa e francesa, Meryl Streep e Catherine Frot, respectivamente.

Em contrapartida, o inglês pecou na composição do roteiro, na falta de emoção e delicadeza nos relacionamentos entre os personagens, no figurino, e por fim até no lado cômico, que em minha opinião ficou sem graça e até chegou a ser cansativo. Não é um filme ruim, vale a ida ao cinema: tem ótimas cenas e a interpretação de Simon Helberg como o pianista de Florence foi reveladora. Hugh Grant, interpretando o marido também se destacou e fez maravilhosas cenas com Meryl Streep que não deixou de ser esplêndida. Mas, quando comparado com Marguerite, deixa a desejar.

Cena do filme Florence: quem é essa mulher (2016)
Cena do filme Florence: quem é essa mulher (2016)

 

 

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