Campus SP: o Coworking gratuito do Google

14/07, quinta-feira – Campus SP – R$ 0,00 – Próximo ao Metrô Brigadeiro

Se eu pudesse escolher outra época e local para se viver com certeza seria na Paris dos anos 20. O que eu gostaria mesmo era de ser o personagem do Owen Wilson no filme “Meia noite em Paris” (2011) do Woody Allen e ter a chance de conhecer grandes artistas do movimento modernista, tais como Dalí, Picasso, Matisse, Gauguin, Hemingway, Bruñel, Fitzgerald, entre outros. E, mais do que estar lá com eles em carne e osso, eu gostaria de saber como era ir em algumas daqueles cafés, festas e reuniões para viver neste ambiente de trocas, de criação e ver como as coisas aconteciam, como eles se comunicavam e se relacionavam.

Dizem por aí que estamos vivendo na era da informação, das trocas, de rede, de colaboração. Um mundo que hoje quase não tem fronteiras (exceto por aquelas tão valorizadas, como por exemplo as do Reino Unido), tudo é fácil, as pessoas querem fazer o impossível, fazer acontecer, mudar o planeta. Para facilitar mais ainda, existem instituições e até pequenos espaços que querem promover esse tipo de interação e fornecem ambientes para se trabalhar, com energia, ar condicionado e wi-fi livre.

Nesta última quinta-feira, dia 14/07, fui visitar o espaço do Google chamado Campus São Paulo. Um prédio a duas quadras da Avenida Paulista em que qualquer um pode se cadastrar e usar suas dependências sem pagar nada. Um lugar muito inspirador, moderno. Quem já teve a oportunidade de visitar as dependências do escritório do Google, segue a mesma linha: paredes coloridas, com grafites, painel para as pessoas deixarem suas ofertas ou o que buscam, mesa de bilhar, pebolim, terraço, café, cervejinha.

Eu achei incrível, pois realmente é como se fosse um escritório livre: a pessoa recebe um crachá e tem livre acesso ao prédio, leva o seu laptop e pode trabalhar em um ambiente que incentiva o relacionamento entre as pessoas. A partir daí, pode compartilhar as suas ideias, falar o que está fazendo e, quem sabe, pode surgir uma boa ideia, uma startup? De tempos em tempos o próprio Google seleciona essas ideias e “engloba” pessoas ou mini-empresas que se destacam e as patrocina. O mais legal é que nossa querida São Paulo foi escolhida pelo Google para ser uma das cidades do mundo a terem este tipo de ambiente que é só chegar e usar. Que tal fazer uma visita?

Bom, talvez o problema que eu achei não é o lugar em si, mas as pessoas, ou será a geração? Cheguei no meio da tarde, meio tímida, pois não sabia que tipo de pessoas estariam lá, não sabia o que eu poderia esperar. Entrei em um lugar estilo escritório mesmo, no sentido de que cada um estava olhando para sua própria tela, talvez super se comunicando, mas em silêncio. Eu meio sem jeito, achei um espacinho em uma das mesas e, claro, abri o meu laptop também. Depois de um tempo a bateria começou a acabar e espetei o carregador na tomada, mas não funcionava e eu punha, tirava, e cheguei até a desabafar com um “ai que chato, não funciona”, mas nenhuma das almas teve a mínima intenção de interagir. Até que, sei lá o que aconteceu, funcionou sozinho.

Foi chegando o fim do dia (o local fica aberto das 9h às 19h) e o ambiente silencioso ficou um pouco mais humano, com conversinhas, até duas garotas resolveram se arriscar no pebolim, pessoas fechando mochilas e bolsas, mas pude perceber que eram pessoas que já se conheciam previamente, seja de um emprego anterior, ou porque já eram amigos e vieram juntos, mas não que se conheceram ali na hora. Devem ter me achado uma inconveniente, pois eu além de fazer barulho e ser desajeitada para usar uma tomada, fiquei observando tudo.

Acho que fiquei um pouco frustrada, pois mesmo que o Google incentive este ambiente de trocas, me deu a sensação de que através de telas, ou representando uma empresa, parece que as pessoas tem coragem de falar uma com as outras, de colocar sua opinião, de ter visões. Entretanto, quando chega no mundo real, no “tete-a-tete”, para falar sobre si, ou suas intenções, ficam mudas, tímidas, na sua bolha.

É muito curioso, mas acho que é por isso que eu tenho uma vontade de saber como era viver em uma época em que o relacionamento com as pessoas era sem telas. Queria saber como era viver naquela época em que para ver e ser visto era necessário ter que ir a lugares como óperas, cafés ou até mesmo a boa e velha praça para poder conversar e de fato falar uns com os outros. Se você viveu nesta época, poderia me contar como era?

Bom, de qualquer forma, acho que eu repetirei a visita, tentarei sentar em outro lugar, não dar gafe com o cabo de energia mas ser mais inconveniente ainda e, de fato, perguntar “Oi, tudo bem? Me chamo Mariana Caló e estou escrevendo um blog e você? No que você está trabalhando?”

Espaço de Coworking Google: Campus São Paulo
Espaço de Coworking Google: Campus São Paulo

 

 

 

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