Pós-Impressionismo triunfa suas cores

07/07, quinta-feira – Pós-Impressionismo: o triunfo da cor – Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – R$ 0,00

É curioso como o mês de julho significa “férias” mesmo que eu não esteja de férias.

A mestranda comentou:

– Ai, que delícia poder fazer esse curso de segundas à tarde, porque estou de férias.

A mãe das crianças sorriu e disse:

– Como amo as férias, não preciso levar meu filho escola então meu despertador dorme por uma hora a mais.

Já a estudante de administração suspirou:

– Que delícia, estou de férias!

– Ué, mas você não está aqui trabalhando? – questionou sua colega.

– Sim, mas estou de férias da faculdade, então posso sair daqui e ficar “de boa”.

A mãe que trabalha fora desabafou:

– Meu filho entrou de férias há uma semana e eu já estou sendo nocauteada, não vejo a hora que acabe!

A cidade entra em clima de férias e acho que apesar de muitos viajarem e nossa São Paulo ficar mais vazia, aqueles que ficam a preenchem de uma forma leve e alegre. Obviamente existem pessoas que ao invés de ver isso de uma forma positiva, se incomodam, já que há mais crianças nas ruas: acompanhando seus pais no supermercado, aguardando na sala de espera do dentista, “trabalhando” junto no escritório e, claro, brincando e dando gritinhos nos playgrounds dos prédios, fazendo arruaça no elevador.

Na última quinta-feira, 7 de julho, eu presenciei esse fato de corpo e alma. Fui ao Centro Cultural Banco do Brasil para rever a exposição “O Triunfo da Cor” com obras-primas do pós-impressionismo vindas para nós brazucas diretamente dos museus franceses Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie. Minha querida irmã voltou do seu intercâmbio na terça-feira (uhu, estou muito animada por isso) e queria muito ver estas obras, sendo assim fomos na quinta-feira, último dia da exposição.

Me desculpe pelo trocadilho sem graça, mas as obras pós-impressionistas são impressionantes e mais ainda a quantidade de crianças e pessoas presentes naquele centro cultural. Eu havia visitado esta exposição por volta de 15 dias antes, e não sei se era por ainda estarmos em junho, ou por não ser o último dia da mostra, estava completamente vazia. Eu e minha mãe entramos sem fila, sem marcar hora, sem nada. Duas semanas depois, a fila chegava na esquina e mesmo que eu marquei horário as salas estavam abarrotadas (durante a semana, no meio do dia).

Foi um misto de agonia e felicidade. Agonia, pois para quem pode ver as telas em salas vazias e agora ver juntamente com uma multidão dá um desconforto, pois a sensação não é a mesma, os detalhes se perdem, há mais barulho, há mais urgência. Em contrapartida, a felicidade veio por ver gente muito jovem usando seu tempo de férias para apreciar Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Seurat, Signac, Bonnard, Matisse.

Henri Toulouse-Lautrec: Ruiva, 1889 e A palhaça Cha-U-Kao, 1895
Henri Toulouse-Lautrec: Ruiva, 1889 e A palhaça Cha-U-Kao, 1895

Alguns eram mais “velhos”, por volta dos seus dezesseis anos, em grupinhos, olhando, comentando, fazendo selfies e snaps. Outros eram mais “jovens” lá pelos seus dez anos, acompanhados de seus pais, avós ou tios.

Chamou minha atenção uma mulher que conversava com a filha que deveria ter uns sete anos, do jeito que minha mãe fazia comigo: perguntava qual obra eu tinha gostado mais, qual sensação eu tinha quando olhava para uma tela ou para outra. Logo depois, também me peguei reparando em dois garotos vidrados no retrato de Louise Claire Chardon, observavam para esta dama retratada no estilho pontilhista e conversavam sobre o que ela deveria estar pensando.

Hippolyt Petitjean: Mulher jovem em pé, 1894
Hippolyt Petitjean: Mulher jovem em pé, 1894

Quase que eu disse para eles que a técnica permitia a justaposição de tons, o que fazia o seu vestido azul-violáceo vibrar com uma intensidade cromática excepcional, interpenetrando em nossa mente como um truque, causando essa curiosidade. Mas, achei que ia quebrar os seus devaneios estragando a sua imaginação e criatividade, então fiquei quieta.

Tudo isso foi muito inspirador, ver que as pessoas estavam interessadas em sair do seu mundo e viajar para outros, através das cores da tinta a óleo. Adultos incentivando crianças, crianças se incentivando mutuamente. Foi uma delícia.

Eu gostaria de ter escrito esse post antes, para incentivar a visita, mas acabei não conseguindo. De qualquer forma, acho que vale mostrar um pouco do que eu e aquela multidão pudemos ver e desta maneira, aguçar nossas emoções.

Pós Impressionismo CCBB - Van Gogh
Van Gogh: Fritilárias coroa-imperial em vaso de cobre, 1887
Georges Lemmen: Praia em Heist, 1891
Georges Lemmen: Praia em Heist, 1891
Henri Matisse: Odalisca com calça vermelha, 1924-25
Henri Matisse: Odalisca com calça vermelha, 1924-25

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