Rita Lee: você e eu somos um caso sério

21/06, terça-feira – Discografia Rita Lee – R$0,50 por dia (Spotfy)

A Rita Lee é uma das minhas artistas preferidas, sou fã mesmo. Sigo ela no Instagram (@litaree_real) e é muito engraçado porque tem épocas que eu fico sem escutar, mas se eu decido dar o play no Spotfy, ou em um CD antigo, as memórias voltam e fico viciada, escutando sem parar.

Um dia desses recebi uma visita que colocou a agulha na bolacha “Flagra” de 1982 e, batata: estou em um mês vício. Não importa, se estou animada, triste, se acabei de acordar, se vou dormir, se estou cozinhando, escrevendo, tomando banho, lendo, correndo, lá está a Rita comigo. Ela dá um ânimo e eu sei a maior parte das suas músicas de trás para frente, de frente para trás – e como uma boa integrante da minha família, mesmo sabendo, eu canto tudo errado e começo a rir sozinha. Então se não está acontecendo nada de empolgante nesse mês, acaba ficando leve, gostosinho: a Rita está comigo!

É curioso como isso acontece, talvez porque tenha sido um dos primeiros shows que eu tenha ido. Lembro-me bem, daquela ruiva maluca naquele palco correndo para lá e para cá, com uma energia que dava para sentir na pele. Eu devia ter uns 10 anos de idade. Loucura. E aconteceu: “repeat” mais de trezentas mil vezes.

Muita gente acha que eu tenho um gosto musical meio brega, que seja. Uma mulher como essa tem o direito de ser o que ela quiser e eu, modesta à parte, acho que os seus fãs são incríveis, então também podem seguir sua ídola e serem bregas iguais.

Passei a admirá-la não mais somente pela sua criação, junção de ritmos e pelas letras (que no começo eu não entendia muito bem). Eu a admiro por sua coragem, por ser referência na expressão feminina que rogam por sua independência e até por ter sido expulsa do grupo Os Mutantes e, mesmo assim, após essa mudança de rumo, ter alcançado a consagração mundial.

Além disso, eu acho que as músicas foram escritas por uma paulista, com hábitos e cultura da cidade de São Paulo. Então tem muitas coisas que ela canta que é isso mesmo que acontece.

“O ano passado passou tão apressado
Eu sei que foi um corre-corre-corre danado
O ano inteiro eu passei sem dinheiro
Eu sei que foi um tal de segurar essa peteca no ar (…)

Corre, corre, corre, uh-uh-uh”

Não é assim mesmo?

“Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society”

Parece que ela escreveu agora.

Desde 2014 ela resolveu se aposentar e deixar de pintar os icônicos cabelos de vermelho. Segundo ela, quis deixar grisalhos porque “encheu o saco” e para ficar anônima com seus 68 anos. Em minha opinião, isso ela não vai conseguir, pois sua obra continua com muita autenticidade e ativa até hoje.

“Se Deus quiser
Um dia eu morro bem velha
Na hora “H”
Quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote
De camarote…
E tomar banho de sol
Banho de sol!”

Rita Lee. Imagem do Google.
Rita Lee. Imagem do Google.

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