Filme Cidade de Deus e o outro RJ

18/05, quarta-feira — Cidade de Deus (2002) — R$ 0,60 por dia no Netflix

Para ler escutando a trilha do filme, mais especificamente a música “Não vem que não tem” de Wilson Simonal:

Ontem, 17/05/2016, os artistas que estão representando o Brasil no Festival de Cannes com o lançamento do longa Aquarius e fizeram um protesto contra o processo de Impeachment que ocorreu no último 12 de maio, achei que valia pena rever um dos filmes que mais representam o cinema brasileiro no mundo: Cidade de Deus, lançado em 2002.

Com direção de Fernando Meirelles, este é um daqueles filmes que pode ser visto e revisto muitas vezes, seja por sua direção, roteiro, edição, fotografia (essas 4 categorias que foram indicadas ao Oscar), trilha sonora, ou qualquer olhar que se queira se atentar vale assistir cada vez com um uma atenção diferente.

Para quem não assistiu ainda (por favor, pode ver hoje no Netflix), acho que não vale fazer uma “sinopse”, mas apenas situar que com esse filme o espectador consegue viajar pelo Rio de Janeiro escondido dos turistas, que definitivamente não é cartão postal da cidade maravilhosa. Trata-se da história da favela, que tem seu início na década de 60, com o nome do título do longa, e personagens que costuram a trama, desvendando os acontecimentos e episódios do crime organizado e das peculiaridades desse contexto.

Cena filme Cidade de Deus (2002). Foto de Google Images.
Cena filme Cidade de Deus (2002). Foto de Google Images.

Apesar de retratar a violência escancarando cenas que mostram o horror, a trilha sonora, os personagens, o ar do jeitinho brasileiro entregam para a trama uma malícia, sendo um filme pesado, mas que para os sentimentais (como eu) saem dessa viagem de forma horrorizada, mas com a esperança de que, sim existem os heróis, mas que tudo o que se faz e se consegue nesse Brasilzão não pode ser de graça e muito menos sem ser pensado.

Uma das cenas que eu acho que representa bem é o diálogo entre dois personagens e que, sim, esse é o malandro. Não sei se em todo o lugar do mundo, mas que no nosso país, realmente é:

“Malandro não ama, malandro só sente desejo. (…) Malandro não conversa, malandro desenrola uma idéia. (…) Malandro não fala, malandro manda uma letra. (…) Malandro não para, malandro dá um tempo.”

Cena filme Cidade de Deus (2002). Foto de Google Images.
Cena filme Cidade de Deus (2002). Foto de Google Images.

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