La Jetée: a Terceira Guerra Mundial

12/05, quarta-feira — La Jetée (1962) — R$0,00 (Internet)

Em uma mistura de documentário com ficção científica, durante 28 minutos “La Jetée” envolve o espectador na história que é narrada e ilustrada por imagens fixas, fotográficas, onde os movimentos de câmera dão vivacidade às cenas. Com apenas um único take, de uma mulher piscando os olhos, foi definido pelo autor, Chris Maker, como uma fotonovela, mas que se distancia, de modo positivo, das existentes até então.

Essa estética corrobora com a temática da narrativa, em que os poucos sobreviventes após a suposta Terceira Guerra Mundial, realizam experimentos no subterrâneo de uma Paris devastada. O espectador é levado à mente de um homem, o herói, escolhido pelos cientistas, que tentam achar uma solução para o futuro, incerto, mas que já foi atingido pela tragédia: o tempo.

Após sofrer dolorosas intervenções, com injeções de drogas, o herói é levado para o passado e consegue se recordar de um período pré-bélico, na plataforma do aeroporto de Orly, em que era apenas uma criança. As cenas retratam com detalhes momentos únicos vividos pelo protagonista, transmitindo a nostalgia, saudosismo e paz que estão no interior do personagem.

Estas imagens são influenciadas pelas falas dos cientistas, que em alemão, discutem e decidem os próximos passos do experimento. O que mais impressiona durante o filme é a capacidade de trabalhar um paradoxo temporal de maneira objetiva, que pretende buscar a sobrevivência do presente através do passado. É intrigante como os cientistas demandam o que o herói deve fazer, mas ele fica preso à memória de um momento que acompanha a trama do início ao fim.

“La Jetée” é um experimento único, que influenciou outras obras e retrata a busca por algo que, na verdade, estava lá o tempo todo. As imagens, o ritmo e os sons, estão para ser vividos e, andando em paralelo, o sonho e a consciência humana, culminam em uma bela meditação sobre o tempo e a memória

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