Jazz e Folk com Mustache e os Apaches

18/03, sexta-feira — Mustaches e os Apaches — R$ 0

Associação Cultural Cecília — Mês especial Casa Levi’s

Os sons são diferentes e misturam um pouco de jazz, folk e rock. A emoção invade o palco, com muita alegria os integrantes da banda estão conectados entre si, seguindo o mesmo grau de entusiasmo, conseguindo tirar o balanço do esqueleto até dos mais travados na plateia.

Sou um pouco suspeita para falar, pois mesmo não sabendo muito o porquê tenho afinidade com essa banda desde a primeira apresentação que tive a oportunidade de participar. Digo, participar, sim, pois esta banda, apesar de já ter subido em muitos palcos, não é “superior”, mas sim convida os espectadores a cantarem junto, baterem palmas, dar risadas, interagir de verdade, fazendo o show juntos.

O dia em que os conheci, foi em um evento no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) e que segundo o meu Instagram foi há 142 semanas atrás, ou seja, em meados de junho de 2013, e que na verdade eu e minha irmã fomos ver um outro show no auditório do museu, e no pátio, a banda Mustache e os Apaches se apresentava, bem no estilo músicos de rua, com todas as pessoas que ora estava ali para ver uma exposição, ora para o show “oficial” do dia e acabaram surpreendidas pela performance.

Não que o show oficial não tenha sido bom, pelo contrário, foi ótimo também (em outra ocasião posso falar sobre ele), mas para o meu estilo e sintonia com o jazz e a cultura de rua; acabei me identificando com a banda “de presente” que eu recebi.

Além disso, a banda conta com uma certa magia: os músicos são estilosos e sexys sem deixarem de ser simpáticos e sorridentes (menos o Jack Rubens, guitarrista, que é muito misterioso, mas não deixa ter uma energia boa).

Este foi o filminho que eu fiz deles:

Desde então já os prestigiei em diversos locais, seja no próprio MIS — mas como banda oficial — no SESC, na Av. Paulista, no metrô, na casa de shows Serralheria, no meu Spotfy e a última vez foi na Associação Cultural Cecília, apadrinhada pela Levi’s, nesse último mês de março.

A casa estava recém-aberta para algumas semanas especiais de eventos patrocinados pela famosa marca de jeans, e infelizmente o som deixou muito a desejar. A casa é muito charmosa, localizada no bairro com seu nome, Santa Cecília. É espaçosa, com uma sala para o bar, uma sala para shows (acredito que para aproximadamente 80 pessoas, no máximo), um tipo de deck ao ar livre, para poder sentar e saborear as comidinhas dos diferentes chefs diários — no mesmo estilo da música, cada dia um chef diferente — e um quintal que em uma salinha havia um tatuador, realizando artes corporais e em outra, uma antipática moça trocando dinheiro por fichas, essas também não muito práticas.

Achei maravilhoso não ter que pagar para entrar e para assistir ao show, mas acho que poderia ter sido ainda mais incrível.

Em primeiro lugar, a acústica não foi nada boa, o som não estava claro, ao contrário, abafava o som do washboard (instrumento de percussão que parece uma tábua de lavar roupas, fundamental nos acordes da banda) e, de repente, de uma hora para a outra os microfones pararam de funcionar!

O Mustache e os Apaches estavam totalmente envergonhados, o músico Pedro Pastoriz lançou rapidamente um sinal de fumaça para o técnico de som que ia e vinha sem saber o que fazer. Mesmo assim, os músicos não deixaram de tocar, mantendo o ritmo e esperando o problema ser resolvido. Passaram alguns minutos e nada, o técnico, ia, vinha, olhava os fios, checava as entradas e voltava. Eis que o próprio Pedro começa a cantar com seu vozeirão sem microfone mesmo, a plateia incentivou, batendo palmas, depois de um tempo, os integrantes demonstraram cansaço e todos eles pararam de olhar para o público, um ato de timidez, ao mesmo tempo, se fecharam, olharam para baixo, se concentraram e finalizaram a música.

A banda teve que fazer uma pausa obrigatória, se desculparam, mas quando voltaram os microfones ainda não estavam 100%. E, o meu sentimento foi de que eles fizeram o show, mas não viam a hora de terminar. Quando acabou, logo agradeceram e saíram do palco, cabisbaixos.

Foi uma pena, pois para as pessoas que estavam ali os assistindo pela primeira vez, não puderam saber realmente como é um show deles. Uma delas era a minha mãe, que estava muito feliz de poder conhece-los, já que eu falo deles sempre.

Nesse momento, alguns tive alguns sentimentos. Em primeiro lugar, de orgulho. Achei que eles contornaram o problema, com um espírito de união, mantiveram a energia e não desanimaram. Mas depois o sentimento foi de decepção, achei que eles poderiam ter se saído melhor da situação, como os microfones não tinham como funcionar perfeitamente, achei que eles poderiam ter improvisado, voltado às raízes da banda e tocado como fizeram muitas vezes — e até aquela primeira vez que os vi no MIS — descido do palco e tocado sem os microfones, ou amplificadores.

Mas acho que isso, é um pouco que acontece comigo e que preciso saber como contornar as situações. Tenho expectativa sobre tudo e quando as coisas não saem do jeito que eu espero, acabo ficando frustrada. Mas acho que isso não acontece apenas comigo. Neste caso, acho que esse sentimento de frustração não estava presente somente para mim, mas também para os músicos, que tinham uma expectativa sobre a casa, para a casa sobre o técnico, para o técnico sobre a estrutura. Por fim, quem mais saiu feliz dali foram aqueles que não os conheciam ainda, visto que, apesar dos pesares, a música ainda saiu.

Será então, que o ideal é sermos “ignorantes”? Quanto menos soubermos, menos vamos exigir e menos vamos nos frustrar? Ou será que devemos criar menos expectativas e sempre estarmos preparados para diversidades que podem acontecer a qualquer momento?

Bom, cabe a cada um de nós, mas eu vou seguir pela segunda hipótese: continuar querendo saber e conhecer sempre mais e mais coisas, mas ao mesmo tempo tentar manter o equilíbrio, exigindo menos das pessoas, do cosmos e principalmente de mim mesma.

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