Filme Carol merece prêmio de excelência

19/01, terça-feira — Carol (2015) — R$11,00 — meia-entrada Itaú Cinemas Rua Augusta

Repleto de romance e tensão sexual, Carol é um filme que mostra as dificuldades e as alegrias de amar alguém que, segundo os padrões da sociedade, não deveria. Baseado no livro “The price of Salt” de Patricia Highsmith de 1952, o longa, sem economizar detalhes, desvenda o envolvimento amoroso entre duas mulheres em plena Nova Iorque nos anos 50.

O diretor Todd Haynes, é perfeccionista na ambientação, atento às minuciosidades, e assim, a beleza é característica marcante durante toda a trama. Com seu estilo sofisticado é certeiro na produção, realizando uma ambientação impecável e excelentes figurinos e maquiagem e, para valorizar os silêncios necessários entre as personagens, a trilha sonora de Carter Burwell, realça cada instante.

Cena do Filme Carol (2015). Imagem de Google Images.
Cena do Filme Carol (2015). Imagem de Google Images.

Em seus filmes Haynes mostra a profundidade em relacionamentos proibidos, como em “Longe do Paraíso” e desvenda o universo da música, como em “Velvet Goldmine”, culminando em um tributo a David Bowie, ou em “Eu não estou lá”, desconstruindo Bob Dylan, que ajuda a decifrá-lo. Carol contribui para a característica de sensibilidade e excelência do diretor.

Therese Belivet interpretada por Rooney Mara, é uma tímida e clássica vendedora de loja de departamentos e fotógrafa nas horas vagas, encontra algo diferente no olhar da fascinante Carol Aird (Cate Blanchett), uma mulher mais velha e casada. Nesse instante, Haynes começa a construção da relação entre elas que é contida no primeiro instante, mas que cresce, repleta de sutilezas, seja por uma fala, por um toque, até garantir o tempo necessário para que se conheçam e que se apaixonem.

Cena do Filme Carol (2015). Imagem de Google Images.
Cena do Filme Carol (2015). Imagem de Google Images.

O desejo entre as duas enfrenta obstáculos tanto internos quanto externos. Em uma sociedade cheia de preconceitos e ignorâncias no mundo homossexual, transpor essas barreiras era considerado uma imoralidade definitiva. Pelo ponto de vista de Carol é acentuado e contido principalmente por ter uma filha e marido. Esse lado misterioso e com sentimentos camuflados atrai Therese que, até então, vive superficialmente, com sentimentos rasos em seu relacionamento.

A trama fica mais intrigante pelo fato de Carol estar em processo de separação, mas seu marido a chantageia e ameaça, colocando-a em posição que perderá a guarda da filha. Este é o grande dilema que mais impede-a de seguir seus desejos e coração.

Carol traz uma história de amor lindíssima, e ainda consegue gerar a reflexão das limitações impostas pela época retratada, que hoje avançou, mas segue com grandes dificuldades na sua evolução. Um filme repleto de entrelinhas e nuances, digno de aplausos.

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